Revista Blecaute de Literatura e Arte – Número 9

Cara(o) Amiga(o),

Segue o link para download da 9ª Edição de Blecaute: uma revista de Literatura e Artes, revista digital em formato pdf que tem como objetivo divulgar a produção literária e artística (contos, poemas, ensaios, dicas de leitura) de “novos” autores e artistas paraibanos, assim como de agentes de outros estados do nordeste, do Brasil e membros dos países lusófonos que interajam de algum modo com a literatura atualmente produzida no Estado da Paraíba.

O download da revista deve durar no máximo 6 minutos, em conexões mais lentas. Por favor, repasse esta edição de Blecaute para os seus contatos e ajude a divulgar esta iniciativa.

Obrigado e Boa Leitura!

Atenciosamente,

Bruno Rafael de Albuquerque Gaudêncio

Janailson Macêdo Luiz

João Matias de Oliveira Neto

Flaw Mendes (Editor Visual)

(Os editores)

CLIQUE A SEGUIR P/ DOWNLOAD:

BLECAUTE_Uma_Revista_de_Literatura_e_Artes_N9_Boa Leitura

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Ainda sobre a literatura brasileira contemporânea

Por Wilson Alves-Bezerra

De tempos em tempos, a constatação da irrelevância – ou inexistência – da literatura brasileira nos assombra. Antonio Candido, no prefácio à “Formação da literatura brasileira” (1957), traz uma versão nacionalista dessa constatação: “A nossa literatura é galho secundário da portuguesa, por sua vez arbusto de segunda ordem no jardim das Musas… Comparada às grandes, a nossa literatura é pobre e fraca. Mas é ela, não outra, que nos exprime. Se não for amada, não revelará sua mensagem; e se não a amarmos, ninguém o fará por nós.” Passado meio século do chamamento indulgente de Candido, quando voltamos os olhos ao contexto atual, somos levados a nos perguntar novamente sobre a relevância das nossas letras contemporâneas.
No final do ano de 2010, a editora francesa Gallimard publicou uma antologia de contos chamada “Les bonnes nouvelles de l´Amérique latine”, organizada pelo venezuelano Gustavo Guerrero e pelo peruano Fernando Iwasaki, com prefácio de Mario Vargas Llosa. Entre os 32 jovens contistas presentes na coletânea, não consta um só escritor brasileiro. Pois bem, para os organizadores ou o Brasil não pertence à América Latina, ou a literatura brasileira também lhes parece desimportante.
Recentemente, nas páginas virtuais de O Globo, a partir do debate entre os críticos Beatriz Resende e Alcir Pécora, iniciou-se uma discussão sobre a literatura brasileira contemporânea: Pécora pautou a discussão e declarou que o panorama nacional atual é irrelevante. Daquele debate e seus desdobramentos, ficam-me dois acontecimentos exemplares. O primeiro: após Pécora lançar a rede de sua provocação, alguns jovens escritores locais quiseram desmenti-lo – quando a mera existência de suas obras deveria bastar para tal. O sintomático é que não lançaram manifestos, não escreveram poemas, não argumentaram, não se calaram; lançaram gritos vãos, mostrando-se aludidos, mas sem meios para responder a provocação. O segundo acontecimento: dias depois, em sua página pessoal no facebook, Beatriz Resende reage: “Me enchi desses autores contemporâneos. Vou voltar para o velho Lima, Machado, Guimarães Rosa. Não tem erro e não chateiam ninguém. Se quiser ser moderna, falo de Sarah Kane e outros mortos que já sossegaram o ego”.
Pouco afeitos a debates, todos se desmobilizaram, exceto Pécora, que produziu o artigo “A hipótese da crise” (O Globo, 23 de abril 2011). Nele, lança a hipótese de que uma “inflação simbólica” seria a responsável, no mundo atual, pela irrelevância das letras: “É como se o mundo inteiro fosse virtualidade narrativa antes de ser existência particular, e principalmente como se todo mundo fosse interessante o bastante para ser visto/lido.”
Ora, a escrita de descarga presente em muitos blogs autorais, às vezes sem qualquer mediação entre escrita e leitura – tal como é retratado no filme “Nome próprio” (Murilo Salles, 2008) – não se confunde com a literatura como tal, é antes frágil tentativa de fazer-se relevante; é extensão, como o feliz nome do filme indica, do nome próprio de seu criador, e não se presta à transmissibilidade, à discussão ou ao diálogo com a tradição. Talvez seja a isso – sob a forma do blog ou do livro – que Pécora se refira. Mas esta escrita, é preciso que se diga, não depende do meio de difusão. Pode-se ser relevante ou descartável em papel ou hipertexto.
No caso brasileiro, alguns dos poetas mais relevantes das últimas décadas não tiveram uma trajetória midiática, antes foram absolutamente marginais em relação aos meios dominantes. Penso, por exemplo, em Hilda Hilst e Roberto Piva, que por anos circularam através das tiragens limitadas de Massao Ohno, produzidas e distribuídas artesanalmente. Depois ambos se exilaram, Piva no centro de São Paulo, em seus cursos órficos, para quem quisesse ouvi-lo; Hilda Hilst em sua Casa do Sol, nos arredores de Campinas, entre seus cachorros e seu uísque, mas também de portas abertas. Quando, nos anos 2000, entraram no circuito das letras nacionais, via Editora Globo, sob direção do próprio Pécora, a obra de ambos já estava concluída. Assim, vê-se como os meios disponíveis, a mídia, os blogs, as redes sociais nada têm a ver, a priori, com a criação literária.
Por outro lado, a escrita criativa tomada como ofício é a que considera – não ignora e não se verga perante – a tradição. E como já dizia Harold Bloom, mas muito antes dizia Oswald de Andrade, é preciso devorar, deglutir a tradição, para poder criar. Não basta reverenciá-la, e tampouco ser indulgente com ela. Neste sentido, não haveria o velho Lima Barreto e o velho Guimarães Rosa, mas uma tradição viva. E retomando um ensaio célebre de Jorge Luis Borges, “O escritor argentino e a tradição” (1932), nossa linhagem não precisa ser necessariamente a nacional pois, para ele, “devemos pensar que nosso patrimônio é o universo”.
A definição do filósofo italiano Giorgio Agamben, numa conferência de 2007, sobre o que é ser contemporâneo, permite que recoloquemos a discussão sobre o contemporâneo: “Pertence verdadeiramente ao seu tempo, é verdadeiramente contemporâneo, aquele que não coincide com este, nem está adequado às suas pretensões e é, portanto, nesse sentido inatual; mas, exatamente por isso, exatamente através desse deslocamento e desse anacronismo ele é capaz, mais do que os outros, de perceber e apreender o seu tempo” (p. 58-9).
Aos demais, aos que coincidem com as demandas de sua época, a estes não cabe o lugar de exceção. É preciso entender que o escritor que de fato seja relevante não está construindo sua obra para ser o último da longa fila da tradição, pois isso já seria morte em vida, como temos visto nos dias que correm. Quanto ao lugar, no Brasil, da literatura contemporânea que realmente importa, será preciso encontrá-lo. Para tanto, é preciso estar disponível à surpresa, e não ler as obras a partir de lugares calcificados.
WILSON ALVES-BEZERRA é crítico literário, professor da Universidade Federal de São Carlos
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Críticos X Escritores

Autores reagem a comentários de críticos em debate no IMS

Um debate entre os críticos Alcir Pécora e Beatriz Resende publicado no último dia 4 pelo blog do Instituto Moreira Salles irritou escritores brasileiros e desencadeou em blogs e redes sociais uma discussão à qual a própria Beatriz reagiu esta semana anunciando no Facebook que não vai mais escrever sobre literatura contemporânea, da qual se tornou na última década uma das mais conhecidas pesquisadoras no país: “Me enchi desses autores contemporâneos. Vou voltar para o velho Lima, Machado, Guimarães Rosa. Não tem erro e não chateiam ninguém. Se quiser ser moderna, falo de Sarah Kane e outros mortos que já sossegaram o ego.”

É também recorrendo ao campo semântico da encheção e seus variantes mais ou menos polidos que escritores reagem às acusações de compadrio feitas durante o debate do IMS e resumidas de modo mais expressivo por Pécora na frase “O espaço da literatura virou o lugar das tias”, referência a um clima de congratulamento mútuo que predominaria no meio literário nacional.

— Tias tomam chá e bufam como eles bufavam lá — diz Marcelino Freire, ganhador do Prêmio Jabuti em 2006 pelo livro “Contos negreiros” (Record). — Nós vamos à luta, promovendo encontros, discussões, antologias, revelando gente nova e boa. Ave nossa! Que preguiça! Turma de amigos há em tudo que é lugar. Mas não venham para cima da gente, insinuando armações, máfias. Caralho! Enfim. Digo: estou sem saco.

Em contraste com a cordialidade das “tias” mencionadas por Pécora, Beatriz falou em “gangues” de escritores que se formam para “pegar” outros autores: “um autor que entrou nessa [de] vítima da gangue e não está respondendo bem é o Santiago Nazarian. Ele começou magnificamente, mas de repente algumas gangues dizem ‘ele não é da nossa turma, xô com o Santiago’, aí como reagir a isso? ‘Então já que não sou mesmo disso vou fazer literatura infantojuvenil’”, disse, numa alusão aos últimos livros de Nazarian, cheios de zumbis e bichos falantes.

Em seu blog, Nazarian respondeu: “Eu vejo exatamente o oposto; nos primeiros livros eu me preocupava mais em ser aceito, em escrever um livro sério, ser considerado um escritor; com o tempo, percebi que não valia mesmo a pena e procurei fazer apenas o que eu gosto, me divertir, chutar o balde e ir atrás do meu universo realmente — e o que eu sempre gostei foi de garotos andróginos e jacarés assassinos, ora”.

Para o escritor Sérgio Rodrigues, a crítica ao compadrio tem “sabor de anteontem”, como ele escreveu em seu blog Todoprosa  — especialmente se entendida como uma censura aos escritores de São Paulo que deram a si mesmos o título de “Geração 90” (caso do próprio Marcelino, Nelson de Oliveira, André Sant’Anna, Marçal Aquino etc), num esforço assumido de chamar atenção para a própria produção num momento em que a discussão literária do país parecia modorrenta.

— Eles foram em frente, alguns amadureceram bem, outros não, e soa como uma fuga do assunto desqualificá-los com base no marketing, aliás bastante esperto, que eles usaram para se lançar — afirma Rodrigues.

Joca Terron, autor de “Do fundo do poço se vê a lua” (Companhia das Letras), prefere inverter o sentido dos comentários de Pécora e Beatriz:

— E o papel de tais representantes da crítica como curadores ou jurados dos grandes prêmios literários brasileiros, não faz parte desse desejo de participação contraditório com o papel de quem se arroga tanta isenção?

A impressão de uma crise geral do campo literário, que Pécora expôs no início do debate e procura desenvolver no artigo publicado nesta edição do Prosa & Verso, também foi questionada em comentários como o do escritor Vinicius Castro, que contestou a escolha de Paul Auster e Bernard Schlink como exemplos da banalidade da literatura que hoje seria mais incensada: “se quiser bater no peito e dizer que não há nada interessante na literatura atual, que fale daqueles autores realmente respeitados. [Roberto] Bolaño, DFW [David Foster Wallace], [W.G.] Sebald, [Javier] Marías, [J.M.] Coetzee, [Haruki] Murakami, [Mathias] Enard.”

Professor da UFBA e mediador da comunidade “Prosa contemporânea 2.0” no Orkut, Antonio Marcos Pereira acha que o debate e as reações a ele revelam dificuldades atuais da crítica, mas também dos autores:

— Se a crítica, mesmo consideradas suas nuances, não encontra nada para acolher, é a sua falência que está sendo também atestada, ou a redução de sua função ao meramente reativo ou reacionário, à conservação pura e simples — diz. — O negócio é saber o que se busca tanto com esse desejo de chancela crítica, pois não é diálogo com a crítica o que se busca. O que vejo todo dia são autores putos com resenhas negativas, e morreu o papo. Há um desejo de autonomia criativa total (o que todos têm, num certo sentido), e garantia de aplauso absoluto, sob a forma do reconhecimento da crítica (o prestígio, o capital simbólico e, eventualmente, as premiações partindo daí) e do público (com as vendas, a fama e a fortuna).

Autor de “O único final feliz para uma história de amor é um acidente” (Companhia das Letras), João Paulo Cuenca propõe também um olhar duplo sobre o caso:

— Respeito a opinião do Pécora sobre a inexistência da literatura contemporânea, e acho que isso me dá direito a acreditar que ele não existe. Eu sei que eu existo. Então a gente pode discutir isso: se eu existo, se ele existe, mas sem que isso signifique que a gente se odeia. É uma discussão de ideias. Tem uma coisa no panorama literário e intelectual brasileiro que é a incapacidade de aceitar o contraditório, a opinião do outro. Tudo vira uma rinha de galos passional.

Fonte: http://globo.com

Comentário:

As relações conflituosas entre escritores e críticos são também ecos de um debate atual no seio da literatura paraibana (ver aqui e aqui). Não por outro motivo, a edição número 2 do Encontro de Literatura Contemporânea, nosso já conhecido evento que se realiza durante o carnaval e o Encontro da Nova Consciência, teve como tema Entre Escritores e Editores: A Trajetória dos Livros, enfatizando o caráter difícil e trabalhoso da chegada dos livros em nossas mãos. Mas, aqueles que se pretendem à veia crítica, à distinguir o joio do trigo, estariam aptos para conhecer os literatos contemporâneos com os olhos do presente, ou somente os críticos do futuro é que poderão julgar esta geração que passa (passará?)?

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II Encontro de Literatura Contemporânea – Programação Completa -

II ENCONTRO DE LITERATURA CONTEMPORÂNEA

“ENTRE ESCRITORES E EDITORES: A TRAJETÓRIA DOS LIVROS”

Campina Grande- Paraíba
Data: 06 e 07 de Março
Horários: das 9 ás 12 horas/ das 14 horas ás 18 horas
Local: Centro de Educação (CEDUC II)

.

PROGRAMAÇÃO

06/03/2010 – Domingo (Manhã e Tarde)

09h00: Palestra de Abertura: Literatura e vida literária: a psicologia de um escritor

Ronaldo Monte (PB/AL)

Mediador: Bruno Gaudêncio (PB)

10h30: Mesa- Redonda I: Do antologista ao tradutor: lances de um mercado

Rinaldo de Fernandes (PB/MA)

Teodoro Lorent (EUA)

Mediador: João Matias de Oliveira (PB/CE)

14h00: Mesa-Redonda II: Livro, leitura e literatura: a produção de eventos

Lau Siqueira (PB/RS)

Mirtes Waleska (PB)

Jairo César (PB)

Mediador: Janailson Macedo (PB)

15h30: Lançamento e sorteios de Livros

07/03/2010 – Segunda (Manhã e Tarde)

09h00: Mesa-Redonda III: Editores e Editoras: A relação com os escritores

Helder Pinheiro (PB/CE)

Magno Nicolau (PB)

Mediador: Bruno Gaudêncio (PB)

10h30: Mesa-Redonda IV: Poesia e(m) Prosa: Modelos e alternativas de publicação

Thiago Lia Fook (PB)

Roberto Menezes (PB/PE)

André de Sena (PE)

Mediador: Bruno Ribeiro (PB/MG)

14h00: Mesa- redonda V: Literatura e Entretenimento: Na busca de um leitor constante

Ricardo Kelmer (SP/CE)

Mabel Amorim (PB/AL)

Efigênio Moura (PB)

Mediador: Janailson Macedo (PB)

16:00: Palestra de Encerramento : Sobre Livros e Mulheres

Vitória Lima (PB/PE)

Mediador: João Matias de Oliveira (PB/CE)

16h30: Lançamento e sorteio de Livros

Organização:

Núcleo Literário Blecaute/ XX Encontro da Nova Consciência

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Revista Blecaute de Literatura e Arte – Número 6 – Ano 2

Cara(o) Amiga(o),

Segue o link para download da 6ª Edição de Blecaute: uma revista de Literatura e Artes, revista digital em formato pdf que tem como objetivo divulgar a produção literária e artística (contos, poemas, ensaios, dicas de leitura) de “novos” autores e artistas paraibanos, assim como de agentes de outros estados do nordeste, do Brasil e membros dos países lusófonos que interajam de algum modo com a literatura atualmente produzida no Estado da Paraíba.

O download da revista deve durar no máximo 3 minutos, em conexões mais lentas. Por favor, repasse esta edição de Blecaute para os seus contatos e ajude a divulgar esta iniciativa.

Obrigado e Boa Leitura!

Atenciosamente,

Bruno Rafael de Albuquerque Gaudêncio

Janailson Macêdo Luiz

João Matias de Oliveira Neto

(Os editores)

CLIQUE A SEGUIR P/ DOWNLOAD:

BLECAUTE_Uma_Revista_de_Literatura_e_Artes_Ed6_N6_Boa_Leitura

Contatos e informações:

www.revistablecaute.blogspot.com

revistablecaute@gmail.com

https://twitter.com/revistablecaute

ÍNDICE da 6ª edição

EDITORIAL A arte de ser um escritor iniciante

Os editores

5

CONTO

Allegro ma non troppo

Lucia Bettencourt – RJ

8
COLUNA Guimarães Rosa: um retrato

Franklin Jorge – RN

11
POEMAS Caronte, Epitáfio, Via-Láctea e Eclipse

Vitor Nascimento Sá – BA

13
ENSAIO A ficção científica, os robôs e a modernidade – Segunda parte

João Matias de Oliveira-CE/PB

16
POEMAS Poema de Beneficência, Açúcar-Matéria, Em parte, Onze palavras e Carbono

Sylvia Beirute – POR

24
HUMOR Conto materno kafkaniano

Valdênio Freitas – PB

27
POEMAS Poética X, Bocejo, Do lado de dentro, Consuelo, Carta I

Fidélia Cassandra – PB

29
CONTO Sapo, café e um hipermercado

Francisco Cabral Júnior – RN/PB

33
ESTANTE O Escritor e seus intervalos – Hildeberto Barbosa Filho

Bruno Gaudêncio – PB

38
Antologia da Poesia negra brasileira: o negro em versos – Luiz Carlos dos Santos, Maria Galas e Ulisses Tavares (org.)

Janailson Macêdo Luiz – PB

40
POEMAS Singular, Da Pampa, Fragmentos de um poema triste, Fruta madura e Criança

Cláudio Carlos – RS

42
CONTO Os Sábios de Baruch

Thiago Lia Fook – PB

46

ENSAIO

Iconografia do sofrimento: fotografias de guerra em Susan Sontag

José Luciano de Queiroz Aires – PB

52
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Agosto das Letras

Programação do Agosto das Letras

Cidade: João Pessoa – PB

Local: Ponto de Cém Réis

Dia 27 – Sexta
Oficina: Livro artesanal de papelão com Dulcinéia Catadora
Quantas pessoas: 20 pessoas
Horário: 14h às 17h
Local: Casarão 34
Cine Clube Casarão 34 (ou telão no Ponto de Cem Reis)
Mostra de Curtas – Literatura em foco
Início: 17h30
Término: 19h30
Mesa Redonda: Caminho das pedras: autores x editores
Homero Fonseca (PE)
Raimundo Carrero (PE)
Raimundo Gadelha (RJ)
Mediador: Sérgio de Castro Pinto (PB)
Início: 17h00
Término: 18h30
Local: Funjope – Duque de Caxias, 352 – Centro
Lançamento de Livro
Coleção Novos Escritos – Cordel (PB)
Local: Pça Vidal de Negreiros (Ponto de Cem Réis)
Início: 19h30
Término: 20h30
Show musical:
Xisto Medeiros (lançamento do disco Prana)
Local: Pça. Vidal de Negreiros (Ponto de Cem Réis)
Horário: 20h30
Dia 28 – Sábado
Oficina: A arte do Conto – com Clube do Conto
Quantas pessoas: 20
Horário: 14h às 17h
Local: Casarão 34
Cine Clube Casarão 34 (Ou Ponto de Cem Reis)
Mostra de Curtas – Literatura em foco
Início: 17h30
Término: 19h30
Mesa Redonda 1: Circulação do livro – ou dez maneiras de atrair leitores
Rosa Amanda Strausz (RJ)
Maria Valéria Rezende (PB)
Rinaldo de Fernandes (PB)
Pedro Salgueiro (CE)
(Grupo Estilingues) (SP)
Mediador: Antônio Mariano (PB)
Início: 17h00
Término: 19h00
Local: Funjope – Duque de Caxias, 352 – Centro
Mesa Redonda 2: Literatura e novas tecnologias
Edson Cruz (SP)
Marcelino Freire (PE)
Amador Ribeiro Neto (PB)
Mediador: Linaldo Guedes (PB)
Início: 17h00
Término: 19h00
Local: Funjope – Duque de Caxias, 352 – Centro
Lançamento de Livros
O que é poesia?
Autor: Edson Cruz (SP)
Local: Pça Vidal de Negreiros (Ponto de Cem Réis)
Início: 19h30
Término: 20h30


Show musical:
Victor Ramil (RS)
Local: Pça. Vidal de Negreiros (Ponto de Cém Réis
Início: 21h00
Dia 29 – Domingo
Oficina: Poesia Visual com Constança Lucas
Quantas pessoas: 20
Horário: 14h às 17h
Local: Casarão 34
Performance teatral de Nova Palmeira
Local: Ponto de Cem Réis
Horário: 16h00
Cine Clube Casarão 34 (ou no Ponto de Cem Reis)
Mostra de Curtas – Literatura em foco
Início: 17h30
Término: 19h30
Mesa Redonda 1: Bom de ler: a crítica e a paixão
Hildeberto Barbosa (PB)
Sônia Ramalho (PB)
Alfredo Monte (MG)
Aleiton Fonseca (BA)
Mediador: Ronaldo Monte (PB)
Início: 17h00
Término: 18h30
Local: Sala Funjope – Duque de Caxias, 352 – Centro
Mesa Redonda 2: Literatura e adaptações
João Batista de Brito (PB)
Ronaldo Corrêia de Brito (PE)
Vitor Ramil (RS)
Wellington Pereira (PB)
Mediador: Renato Félix (PB)
Início: 19h00
Término: 20h30
Local: Sala Funjope – Duque de Caxias, 352 – Centro
Homenagens:
Antonio Arcela (com integranges da Oficina Literária)
Geraldo Maciel
Jomard Muniz de Brito
Lançamento de Livros
Bruno Gaudêncio (PB)
João Matias de Oliveira (PB)
Local: Pça Vidal de Negreiros (Ponto de Cem Réis)
Início: 20h45
Término: 21h30
Encerramento.
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Pela federalização do caso Manoel Mattos

Recebo um pedido para divulgar a petição on-line pela federalização do caso Manoel Mattos, cujas informações mais detalhadas encontra-se no link a seguir:

http://acertodecontas.blog.br/clipagem/manoel-matos-executado-na-pb/

A seguir, mensagem transcrita de minha amiga Gilmara seguido do link para assinar a petição pela Federalização do Caso Manoel Mattos:

“A Dignitatis- Assessoria Técnica Popular, a ONG que faço parte de advogados populares e defensores de Direitos Humanos está acompanhando o Incidente de deslocamento de Competencia de n°2 , relativo ao pedido de federalização do caso do defensor de direitos humanos assassinado Manoel Mattos e de cerca de 200 casos relativos a atuação de grupos de extermínio na fronteira de PB e PE.
Pois bem, estamos comandando uma campanha de apoio ao IDC. Com petição on line e envio de cartas ao ministros do STJ. Vou te enviar o link, queria te pedir o teu email e por favor que você divulgasse para todos os seus contatos”

Assine aqui:

http://www.petitiononline.com/dignitat/petition.html

Pela Federalização do Caso Manoel Mattos.

blogmatias.org

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A Cor e o Cheiro da Feira

Entrevista para a TV Itararé sobre o documentário A Cor e o Cheiro da Feira. A direção não é só minha, como a apresentadora falou, mas também do amigo e competente produtor cultural Allan Cleyton. Nem eu sou jornalista, conforme o subtítulo da reportagem, embora formado em comunicação social – sendo assim, comunicólogo, não jornalista. Errinhos bobos, amigos e colegas, porém curti bastante a reportagem. Gostei muito da escolha das cenas! Acompanhem:

blogmatias.org

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Harvard Deparment of Sociology

Entre o ranking das melhores universidades do mundo, nosso (a gente, Brasil) maior topo é o da Universidade de São Paulo, em 122o. lugar. Não creio em uma lista que ponha qualquer faculdade de esquina dos EUA lado a lado com nossa USP. Embora ingênuo, o ‘americocentrismo’ desta lista me pareceu tão exagerado quanto o é, também, a exclusão da École des hautes etudes en scienses sociales dos primeiros no ranking. Ora, a universidade por onde passaram Pierre Bourdieu e Claude Lévi-Strauss mereceria um maior prestígio entre as outras.

Site deles:

http://www.ehess.fr/fr/

Para ver a lista:

http://www.webometrics.info/top12000.asp?offset=0

Mas, deparei com o site do departamento de sociologia de Harvard, tida como a melhor do mundo. Surpreso, constatei a absoluta prevalência de trabalhos nas áreas de Cultura e Identidade (minha linha de pesquisa) no programa de pós-graduação.  Trabalhos do nível de interesse (e envegardura) deste: “Rethinking Japanese National Identity: Narratives of Japanese Intellectuals” – web site http://migre.me/12N3W.

Encontro o site do próprio departamento de sociologia de Harvard em minhas pesquisas. É o tema deste tópico:

Founded in the 1930s, the Department of Sociology at Harvard has a rich tradition of fundamental contributions to social science. Whether the grand theory of Talcott Parsons, the social networks of Harrison White, or the urban inequality research of William Julius Wilson, every era in the department’s history has shaped social inquiry on an international scale. Especially since its experimental heyday in the 1950′s and 60′s—when psychology, sociology, and anthropology collaborated in the former Department of Social Relations—life has never been dull. Indeed, Harvard’s “relational turn” of the mid 20th century has proven visionary.

Combining small size with intellectual diversity and a wide variety of research methods, the current department continues to draw energy from the unique larger community that is Harvard and the creative nexus of the Boston-Cambridge area. After a recent period of faculty growth, the Department of Sociology at Harvard is also embarked on a trajectory of new projects and ideas that is interwoven with our dedication to training the next generation of leaders. We welcome your visit, virtual or otherwise, and urge you to engage the research and teaching that make up our latest efforts.

Robert J. Sampson, Chair 2005-10

Os interessados em visitar o site:

http://www.wjh.harvard.edu/soc/

Ao longo desta nova fase do blog, tentarei postar mais com minhas próprias palavras. Sair deste ostracismo de blogueiro reprodutor de conteúdos.

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Carrascoza



A dor e o aprendizado da finitude

Em Espinhos e Alfinetes, João Carrascoza traz personagens em confronto com a perda
Publicado em 03 de agosto de 2010
Carrascoza: “Crescer é dar à dor a sua devida dimensão”
Wilker Sousa
“A aprendizagem – que nos alarga o entendimento, que nos torna seres compassivos, em comunhão com os demais –, muitas vezes só se dá por meio das perdas.” Nesta frase, o escritor paulista João Carrascoza parece focalizar o eixo de Espinhos e Alfinetes, seu quinto livro de contos. Nas onze narrativas, Carrascoza se debruça sobre a experiência da perda ao construir personagens que, a partir do amargo confronto com a finitude, alargam suas percepções diante do mundo e da vida.
O tema da infância se faz presente como alegoria da inocência e do encantamento posteriormente rarefeitos no decurso da vida. Rarefeitos, porém não extintos. “O olhar é de esperança, de valorização dos momentos que, embora comuns, podem, de súbito, trazer-lhes novamente o selo do encantamento”, afirma o autor. Na entrevista a seguir, Carrascoza fala à CULT sobre Espinhos e Alfinetes e comenta questões temáticas e estilísticas que perpassam sua obra.

CULT – O ponto de partida dos narradores de Espinhos e Alfinetes é a infância, período em geral associado ao encantamento do mundo. No decorrer de suas vidas, porém, os personagens perdem o encanto pela vida. Na sua opinião, a literatura é capaz de refazer esse vínculo perdido?


João Carrascoza –
A literatura, como ação sublimadora, pode reencantar tanto aquele que conta uma história quanto aquele que a lê. Neste livro, retificando a sua pergunta, penso que os personagens não perderam inteiramente o encanto pela vida, ou pelo mundo. Todos estão passando por um momento de perda, de confronto diante de sua finitude. Mas seu olhar é de esperança, de valorização dos momentos que, embora comuns, podem, de súbito, trazer-lhes novamente o selo do encantamento.
CULT – A experiência da perda perpassa todo o livro. Acerca do tema, você declarou: “Quando perdemos alguém, damos também adeus a quem fomos”. A despeito do inegável sofrimento, a perda também pode ser vista como positiva na medida em que pode nos levar a conhecer forças que até então desconhecíamos possuir?

Carrascoza –
Sim, a medida do nosso poder está na capacidade de aceitarmos as perdas que vamos colecionando, dia-a-dia, em nossa breve jornada. A aprendizagem – que nos alarga o entendimento, que nos torna seres compassivos, em comunhão com os demais –, muitas vezes só se dá por meio das perdas. Com elas, felizmente ou não, ganhamos uma compreensão que talvez não alcançássemos de outra maneira. Crescer é dar à dor a sua devida dimensão, assim como a qualquer outro fato de nossa existência.
CULT – As relações familiares são uma constante em sua obra. Gostaria que você comentasse a respeito dessa predileção.

Carrascoza –
Cada escritor tem as suas obsessões e os seus limites. Somos o que somos, não o que gostaríamos de ser. E o que somos nos limita o olhar, embora também possa nos ampliar como pessoas. Interessam-me as relações íntimas entre as pessoas, o pequeno grande mundo que as une, o oceano que há entre duas criaturas, frente a frente. E, para mim, essas relações se dão, invariavelmente, no âmbito das famílias, locus de todas as dores e de todos os amores.
CULT – A linguagem dos contos é ora cadenciada (com pontos finais e parágrafos), ora vertiginosa (sem essas marcas textuais). Como se dá a escolha da forma no que se refere à exigência do conteúdo?

Carrascoza –
Cada história pede para ser contada de um jeito. Para isso, procuro o tom que seja o mais verdadeiro (segundo o meu sentimento), procuro a pele, ou a casca, em função de seu miolo. A água se amolda ao vaso que a contém, mas é preciso encontrar o vaso que a acolha como se tivesse nascido para ela.
CULT – Para além dos diálogos, você estende a força da comunicação aos gestos e às sensações dos personagens como ocorre, por exemplo, no conto “Poente”. Tal procedimento denuncia a falibilidade da palavra enquanto principal meio da comunicação humana?

Carrascoza –
Por vezes, a palavra não diz o que desejamos dizer. Para isso, há as outras formas de comunicação operando em simultâneo para tentarmos dizer até mesmo aquilo que nem sabemos o que é. Precisamos, em certos momentos, aumentar o volume do silêncio para descobrir onde erramos. Quando estamos num carro e erramos o caminho, imediatamente desligamos o rádio. A primeira pessoa que devemos ouvir é nós mesmos.
CULT – Na condição de escritor, como você lida com essa falibilidade?
Carrascoza –
Com humildade. Saber que somos falíveis, que a linguagem nem sempre nos salva, ensina-nos a amar o outro, que é tão imperfeito quanto nós.
Trecho do conto “Poente”
(…)
Sabiam, a vida se vivia aos trechos. E para se inteirar dela cada um tinha de conquistar regiões no outro ou entregar as suas. Mas havia a retirada. O perigo de ser só alegria já passara – era sempre efêmero. Agora fluiriam os dias doloridos, e não haveria como deter o seu derrame.
Ele prosseguiu,
Vai ser melhor pra todos.
A mulher segurou nos olhos as águas novas, que vinham, ferventes. Disse,
Como vamos fazer?
O homem respondeu,
Amanhã eu saio de casa. Alugo uma quitinete.
Ela,
E as coisas?
Ele,
Dividimos depois. Temos tão pouco…
Ela,
Antes, ao menos tínhamos um ao outro.
Ele,
Nem isso temos mais.
(…)
Espinhos e Alfinetes
João Anzanello Carrascoza
Record
112 págs. – R$ 34,90

Fonte: Site da Revista Cult

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